LUSOFONIA – « A comunidade lusófona só estará completa quando abraçar todas as regiões, também a Galiza »

O Movimento Internacional Lusófono (MIL) defende a incorporação da Galiza à Comunidade Países de Língua Portuguesa pois, disse seu presidente, Renato Epifânio, a pertença do nosso país á comunidade lusófona "é uma evidência histórica".

Renato EpifânioRenato Epifânio
 OLALLA RODIL

 

A aprovação da Lei para a utilização da língua portuguesa no Parlamento ressoou na imprensa de Portugal onde não poucas pessoas, organizações e grupos defendem a inclusão de nosso país para a comunidade lusófona. Entre eles, oMovimento Internacional Lusófono (MIL) tem sido um dos mais ativos na defesa da Galiza como parte da lusofonia.

 

Seu presidente, Renato Epifânio, mesmo publicou um artigo de opinião no jornal Publico.pt em que defendeu a pertença da Galiza à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Um facto que não ocorreu até agora, disse em conversa com Sermos Galiza, por duas razões: as « regras em vigor » que regem a CPLP mas também, por questões políticas, entre as quais se encontra a rejeição de Portugal a gerar um conflito político-diplomático com o Estado espanhol .

 

« Denunciamos, de resto, em divido o tempo, o facto de Portugal ter sido o único país em não apoiar a concessão da categoria de Observador Consultivo à Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa, entidade que, como se sabe, tem já um histórico muito apreciável », explica Renato Epifânio . « Como português, senti-me envergonhado por essa decisão », acrescenta.

 

« Como português senti-me avergonhado pelo facto de Portugal ter sido o único país em não apoiar a concessão da categoria de Observador Consultivo à Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa »

 

Os povos lusófonos

É que « a questão galega » -como definem desde o MIL a integração da Galiza na comunidade lusófona- « sofre do fantasma político -sobretudo numa altura em que o todo espanhol ameaça com desagregar-se », disse Epifânio. Porém, acrescenta, « por muitos cuidados que se tenham, a verdade é que existe uma singularidade linguístico-cultural na Galiza que, por direito próprio, integra essa realidade plural e polifónica que é a Lusofonia » .

É o que defendem desde o Movimento Internacional Lusófono por « uma evidência histórica ». Neste sentido, estão cert@s de que a CPLP « só estará completa quando abranger e abraçar, não apenas os países de língua portuguesa, como todas as regiões com fortes ligacões histórico-culturais a esta Comunidade Lusófona ». Territórios que abrangem para além da Galiza « também Goa, Macau e Malaca » .

 

Mas para a adesão dessas formações sociais à CPLP seria preciso mudanças nas « regras em vigor » que regem esta organização internacional , pois, aponta Renato Epifânio, « como se deduz pelo próprio nome, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, só acolhe países ». Assim, a desde o MIL defendem a alteração do significado do ‘P’ e, em troca de  » países », introduzir « povos ». « Poderíamos até manter o acrónimo, ficando assim, CPLP: » Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa », ressalta.

 

« A questão galega sofre do fantasma político, sobretudo numa altura em que o todo espanhol ameaça com desgregar-se »

 

Para Epifânio « nas palavras de Agostinho da Silva, um dos nossos maiores inspiradores, ainda « não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália”. E que inclui igualmente a Galiza – como o próprio Agostinho da Silva reiteradamente defendeu ».

 

Galiza na lusofonia « sem ingerências externas »

 

Mas em Portugal, as organizações, grupos e pessoas que defendem a incorporação da Galiza à CPLP estão cert@s de que « a iniciativa deve vir sempre da Galiza. São os galegos que devem sempre expressar a sua vontade, porém sem ingerência externas ». Neste sentido , mostram sua alegria pela aprovação da Lei para o aproveitamento da língua portuguesa. Um facto que, dizem, esperam serja um primeiro passo para a adesão do nosso país à comunidade lusófona.

 

« O MIL respeita a autonomia de cada país e Região , procurando depois defender e difundir o conceito de « cidadania lusófona «  », destaca ao mesmo tempo que salienta o reconhecimento que receberá o 16 de Abril em Lisboa Ângelo Cristóvão . Este licenciado em Psicologia nascido em Padrón, será premiado no II Congresso de Cidadania Lusófona como Personalidade Lusófona  » em reconhecimento de todo o seu incansável Trabalho em prol do reforcem os laços entre a Galiza ea Lusofonia », disse Epifânio .

 

OLALLA RODIL

 

Source: http://www.sermosgaliza.gal

 

Sermos Galiza (España)

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